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domingo, 18 de abril de 2010

Quarta Anotação

Nunca mais vou beber em uma reunião de família.

Nunca mais.




NUNCA MAIS.

sábado, 6 de março de 2010

Terceira Anotação

(Anotação demais e história de menos, sim, eu sei.)

Fui me matricular na tal Rural depois de andar quase três horas debaixo de um calor incômodo e sendo que ninguém sabia a localização da maldita universidade. Nesse caminho, descobri que...

... Ela ainda estava em construção?

OK... A matrícula era em outro lugar. Chegando lá, a primeira coisa que me perguntaram foi:

"Você tem quantos anos? Onze?"

Para qual eu respondi:

"Dezesseis."

Me pediram os documentos e fiquei nervoso quando falaram que estava faltando uma declaração em especial. Mandaram eu pegar ela no meu colégio e voltar no dia seguinte, e lá fui eu voltar para casa, agora mais calmo que já sabia onde era o lugar e não teria mais que sofrer por três horas.

Chegando em casa, ela estava vazia. Fui para o colégio, falei com o diretor, ele me passou a tal declaração, voltei para a casa; ainda vazia, deitei no sofá e fui dormir. Acordei quase às sete da noite, com o coração na boca e os olhos cansados, correndo para pegar minhas armas e ir caçar kanjou, quando ele surgiu do nada e me disse:

"Espere, Nori. Você soube?"

"Do quê?"

"Foi reclassificado naquela nacional. Dá uma olhada se for pegar o bonde."

"Como assim... Reclassificado?"

"Alguém não quis a vaga, você entrou. Parabéns. Já se inscreveu na outra?"

"Não, não pude. Faltou um documento."

"Bem, vá lá e volte vivo."

Saí de casa sem acreditar muito. Eu? Aceito na nacional? Na que meu professor de biologia, que me aturou dormindo o ano todo, tinha se formado? Psh. Difícil. Melhor ignorar. Ele provavelmente tinha lido algo como "Kurosawa Yuu" - 優 - em vez de "Kurosawa Nori" - 儀 - (Ele nunca teve a melhor visão do mundo) e achou que era eu. Ou então leu algum nome errado. Ou então se confundiu. Qualquer coisa. Podia até mesmo ser que a lista não era dos reaprovados e ele não tinha percebido. As possibilidades eram infinitas. Então, dei de ombros e fui fazer o que precisava.

Às quase duas da manhã, com um corte no ombro que estava me matando e mais dinheiro indo embora para gastar no alfaiate, lembrei da tal lista. Fui, só por curiosidade, vê-la, e ela ficava logo perto do bonde, já que a faculdade era logo ao norte e...

Hm...

黒澤 儀...?

Kurosawa Nori...?

É... Eu havia passado. Não consegui rir ou chorar ou pular como fiz pela primeira vez, mas voltei para casa satisfeito. Em casa, limpei o machucado e fui acordar ele, já que precisava de ajuda no que fazer. Afinal... Iria para qual das duas, se tinha como escolher? Oh, dúvida. Me joguei na cama de modo barulhento e, quando ele abriu os olhos prestes a bater e correr, apoiei a bochecha na mão e sorri (ou acho que sorri, não lembro).

"Passei, sim. E agora? Para onde vou?"

"Que horas são?"

"Importa?"

"Quero dormir."

"É amanhã que devo ir na faculdade me inscrever."

"E?"

"Preciso escolher entre uma das duas."

"Você passou na nacional. Ainda tem dúvidas? Vá dormir."

E assim, ele virou, pôs o travesseiro por cima da cabeça e começou a roncar. Hm...

Realmente... A quem queria enganar? Eu iria para a nacional.

Problema seria que só começariam as aulas no segundo semestre, então eu teria seis meses de ócio. OK. Eu posso aguentar. Ainda faltam cinco... Ainda posso aguentar. Mesmo que eu esteja com um pouco de medo de ir - Afinal, o que posso encontrar lá? Meu tempo vai ser todo tomado? Vou conseguir terminar ela, ao menos? - Quero que esses meses passem rápido...

Certo. Comecei a fazer menos sentido agora. Estou quebrado do dia de hoje e o que mais quero é dormir, mas tenho comprom- Obrigação social hoje.




Psh. Assim a felicidade acaba rápido.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Segunda Anotação

Depois de três anos de muito esforço e drama e sofrimento, eu fiz as provas necessárias para ver se eu ia ou não para uma Universidade. As primeiras decepções não demoraram a chegar: Não passei na Estadual, não passei em uma das três Federais, depois não passei em outra Estadual...

É. Foi complicado pra mim. Quando soube que não passei na primeira Estadual, não quis me mexer. Fiquei olhando a lista, aí depois fui me sentar e fiquei lá, olhando o chão. Semimorto, na verdade. Ele me disse para levantar, porque a) Não era o fim do mundo e b) Eu ainda teria as reclassificações e c) Ainda tinha outras universidades... Aí quando eu não respondi pela enésima vez, ele se emputeceu e me deixou lá. Depois, na Federal, eu já estava estóico. Olhei a lista. Não passei. Dei de ombros e fui fazer outra coisa. Na segunda estadual, eu achei que iria me dar bem. Afinal, era algo que eu realmente gostava, não tinha como errar, não é?

Trigésimo quarto de vinte vagas.

Minha motivação caiu por terra.

Comecei a pensar no que iria fazer sem uma Universidade. Arranjar um emprego... Fazer um curso? Estudar por mais um ano? Ele me disse que, caso eu não passasse em nada, eu podia tentar no ano seguinte. Mas me seria muito ruim pensar que eu teria que gastar mais um ano quando podia ir estudar imediatamente...

Por um mês, quase, minha vida passou diante dos meus olhos. Sim, foi em slow-motion. Eu lembrava dos meus colegas de classe dizendo que eu iria passar em tudo. Que eu era inteligente. Que eu era um saco. Que eu competia demais. Que tudo era coisa séria pra mim. Que eu dormia na aula. Lembrei de quando deram as costas para mim e falaram tudo isso em péssimos termos e por isso passei o resto das aulas dormindo em um canto da sala, sem ninguém para ao menos comentar a matéria ou para copiar a resposta porque não tinha tido tempo/energias para a fazer.

Eh...

E ainda tinha ele para me dizer que queria um namorado universitário...

Aí...

Aí tentei de novo para uma Federal, esse ano. A Rural. Cujo principal campus fica no meio da serra e eu precisaria de carona ou uma bicicleta potente ou uma moto para ir, além de que poderia encontrar qualquer coisa naquela mata. Qualquer mesmo. Mas o campus do que eu queria fica só a quarenta minutos da minha casa, então... Por que não?

Esperar... Esperar...

Saiu o resultado. Fui ver a maldita lista.

Um, dois, três nomes...

O meu estava lá.

De começo, minha reação foi calma. "Passei!" Eu pensei, e sorri, e fui com esse sorriso no rosto pra casa. No caminho, encontrei alguns colegas, e eles me perguntavam e eu falava "Passei". No quinto colega de classe, eu já falava "Passei, porra". No décimo, já dava um grito e um pulo, "PASSEI! EU PASSEI NA FEDERAL, PORRA!". Quando estava chegando em casa, já estava rindo e dando pulinhos e griando todas as blasfêmeas que eu conhecia.

Quando o vi, diminuí o sorriso e fiquei tímido.

"Passei numa faculdade."

"É? Qual delas?"

"A Rural."

"Oh! Que bom! Isso é ótimo, na verdade!"

A cada frase, ele ia ficando mais contente. Pagaria bem menos se eu fosse estudar lá, então era um motivo...

Nisso, ele me abraçou e aí todo o escudo emocional quebrou. Primeiro a visão ficou embaçada, depois comecei a soluçar, então, as lágrimas, e eu fiquei chorando feito uma moleca de joelho ralado. Só parei quando notei que quanto mais eu chorava, mais ele me abraçava, e eu já estava ficando todo melado de tanta choradeira e tinha que fazer mais coisas ainda.

Saí de casa e, quando dobrei a primeira esquina, dei de cara com o outro ele. Na verdade, ele veio correndo e deu de cara no meu peito e quase caiu no chão, como sempre fazia. Ajudei-o a levantar e acho que se espantou quando viu que eu ainda estava elétrico e sorridente, gritando "ADIVINHA O QUE ACONTECEU" e coisas do tipo.

A ficha não caiu de começo. Aí levei a mão à testa e falei, "Você não queria um namorado universitário?"

Ao qual ele respondeu, "O quê? Ele passou?"

"Sim! Passei! Numa Federal!"

"Que coisa ótima! Vou ligar para ele agora!" Ele gritou, e deu meia volta.

Eu fiquei plantado lá feito um babaca até que ele deu outra meia volta e veio até mim, sorrindo feito um idiota.

"Desculpa pela piada" Ele disse, segurando a minha mão. "Então você passou mesmo..."

"Foi o que eu disse."

"Nunca te vi tão feliz."

"É. Talvez. Quer ir comer alguma coisa? Eu cozinho hoje."

Claro que minha felicidade não simplesmente caiu assustadoramente de uma hora para a outra. Eu ainda estava animado. Acho que festejei a noite toda, não lembro direito. Só lembro de ter acordado com dor de cabeça e de que, nos dias seguintes, a quantidade de kanjou aumentou muito e eu tive três vezes mais trabalho que o normal...

Oh, bem...

Importa é que consegui, não é?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Primeira Anotação

Um dia, me bateu aquela saudade repetina, uma emoção súbita que eu não costumava sentir, algo que fez meu coração bater esquisito. Na pressa e no instinto, escrevi-lhe:

"Queria estar contigo agora."

Ao qual me foi respondido:

"Queria um fuzil de cavalaria Tipo 44, mas nem tudo é como a gente quer."

Se não é amor, eu não sei o que é.

Pode me chamar até de masoquista, mas disso eu tenho certeza.